Como inventaram o mouse?


O mouse se tornou indispensável. Neste exato momento, você provavelmente está lendo este texto com a mão parada sobre ele, ainda decidindo se continua ou não nesta página. Mas, mesmo com toda a presença do mouse em nossas vidas, poucos sabem como esse dispositivo foi inventado.

Aqui no Tecmundo, já abordamos rapidamente a história do mouse, que de certa forma se mistura um pouco com o surgimento das primeiras interfaces gráficas para computadores. Mas muitos detalhes e curiosidades foram omitidos, já que esse não era o foco do artigo.

Por isso, nada mais justo do que contar a história completa do acessório que aguenta, diariamente, o peso de nossas mãos. Para isso, precisaremos viajar no tempo, mais precisamente, para o Canadá dos anos 50.

1952: nasce a primeira trackball

Primeira trackball, criada pela Marinha Canadense em 1952 (Fonte da imagem: Wikipedia)

Cerca de dez anos antes de o primeiro mouse ser criado, o Comando Marítimo das Forças Canadenses contatou diversas empresas que pudessem estar interessadas em participar de projetos que envolviam as forças armadas, universidades e companhias privadas.

Um desses projetos pretendia criar uma máquina que fosse capaz de compartilhar dados de radares e sonares em tempo real, para que todos os combatentes pudessem ter uma visão unificada do campo de batalha.  Esse projeto ficou conhecido como DATAR.

Mas a parte que nos interessa aqui é que o DATAR trazia um dispositivo curioso para a época. Os operadores enviam os dados de radares por meio de uma trackball, uma espécie de “mouse” em que, para movimentar o cursor, bastava girar uma bola presente no aparelho.

Claro que essa primeira trackball não tinha a elegância e a leveza dos modelos de hoje. Para ter uma ideia, na época a Marinha Canadense usava uma bola de boliche para a produção desse dispositivo. E, como era um projeto militar e, portanto, secreto, a trackball nunca teve a sua patente registrada.

1963: o primeiro protótipo de mouse

Primeiro protótipo de mouse, criado por Douglas Engelbart (Fonte da imagem: Stanford University)

De maneira independente, o pesquisador Douglas Engelbart, do Instituto de Pesquisa Stanford, estava trabalhando em um projeto muito avançado para a época em que vivia. No início década de 60, a maioria dos computadores ainda era operada com cartões perfurados e outros métodos que não permitiam a interação do usuário com a máquina. Mesmo as interfaces de modo texto eram raras.

Mesmo assim, Engelbart trabalhava em uma máquina que tinha o objetivo de aumentar o intelecto humano, e não substituí-lo com uma máquina. Muitas das tecnologias que usamos hoje foram propostas por esse projeto, como a interface gráfica dos computadores e os video chats.

Entre os dispositivos de entrada apresentados por Engelbart em 1968, durante a primeira demonstração pública de seu projeto, havia uma caixinha de madeira com um botão vermelho na parte superior e um cabo que saia de uma das extremidades, lembrando, de alguma forma, o rabo de um rato. Era o primeiro mouse da história.

1970: primeiro mouse comercializado

Primeiro modelo de mouse a ser comercializado (Fonte da imagem: Heise Online)

O “Indicador de Posição X-Y para Sistemas com Tela”, nome do mouse especificado em sua patente, funcionava com duas “engrenagens” que registravam as posições horizontais e verticais do cursor.

Algumas semanas depois da apresentação de Engelbart, a empresa alemã Telefunken lançou um modelo de mouse que possuía uma pequena esfera dentro, responsável pelo registro dessas coordenadas. Embora o dispositivo fizesse parte dos componentes dos computadores da Telefunken, esse é considerado como o primeiro mouse a ter sido comercializado no mundo.

1973 – 1981: os mouses da Xerox

Xerox Alto, computador de 1973 com mouse incluso (Fonte da imagem: Wikipedia)

Os próximos mouses a ganharem o mercado foram comercializados com os computadores pessoais da Xerox, como o Alto, de 1973, o primeiro PC a usar o conceito de desktop e a ter uma interface gráfica voltada para o uso do “rato”.

Outra máquina famosa por trazer um mouse como parte do sistema foi a Xerox Star, conhecida oficialmente como Xerox 8010 Information System. Esse também foi um dos primeiros computadores a incorporar diversas outras tecnologias tão comuns nos PCs de hoje, como redes Ethernet, servidores de arquivo e de impressão.

1983: primeiro mouse da Apple

Mouse do Apple Lisa (Fonte da imagem: Tech Digest)

Nesse ano, a Apple lançou o famoso computador Lisa, que continha um mouse inspirado no mesmo que acompanhava o Xerox Alto. Uma característica marcante desse modelo é que, em vez de usar uma bolinha de borracha, o mouse do Lisa usava uma esfera de metal. Esse foi o modelo que estabeleceu o padrão de um único botão para outros mouses da empresa, durante cerca de 20 anos.

1999: a estreia do mouse ótico

Um dos modelos de mouse ótico da Microsoft (Fonte da imagem: Wikipedia)

Apesar de as pesquisas para os primeiros modelos de mouse óticos terem começado em 1980, foi só em 1999 que o primeiro modelo comercial desse tipo de dispositivo foi lançado. O IntelliMouse com IntelliEye, da Microsoft, funcionava sobre quase qualquer tipo de superfície e apresentou melhoras muito significativas quando comparado com o mouse mecânico.

A principal diferença era o fato de que a “bolinha” do mouse mecânico foi substituída por um LED infravermelho, apresentando a vantagem de esse modelo não acumulava sujeira, evitando assim que o usuário precisasse abrir o dispositivo e limpá-lo. A série IntelliMouse também foi a primeira a incorporar a scroll wheel.

Mais tarde, esses modelos acabaram evoluindo e o LED foi substituído por um laser díodo, ganhando as prateleiras em 2004 com o MX 1000, produto da Logitech.

Outros modelos de mouse

A evolução dos mouses não para por aí e, recentemente, os “ratos” ganharam “asa”. Graças aos giroscópios, agora os mouses não precisam nem mesmo ser operados sobre uma superfície física e plana. Esse modelo requer apenas alguns movimentos leves do pulso do usuário para que o cursor seja movido, reduzindo assim o cansaço físico causado por arrastar o mouse durante o dia todo.

 ……

Outra inovação são os chamados mouses 3D, indicados especialmente para a manipulação e navegação de imagens em três dimensões, mas não limitados a isso. Você pode conferir, no vídeo acima, o uso de um dispositivo desses com o Internet Explorer e Word.

Novos modelos também estão acrescentando sensações táteis ao mouse, fazendo, por exemplo, com que o dispositivo vibre ao posicionar o cursor sobre algum elemento gráfico. Também não podemos nos esquecer de que acessórios como o Kinect, do Xbox 360, pode acabar guiando o desenvolvimento para um futuro em que, talvez, nem precisaremos segurar algum controle para operar a interface do software.

Publicado em 27/06/2011, em Curiosidade, Informática e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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