Projeto bilionário pretende prever crises que assolam o mundo


Projeto bilionário pretende prever crises que assolam o mundo

Uma das pretensões do projeto é simular a Terra inteira, humanidade incluída.[Imagem: FuturICT]

Tecnologia da informação futurista

Na Escola Politécnica de Zurique (ETH), na Suíça, um grupo de cientistas está propondo o casamento da sociologia com a tecnologia da informação.

O objetivo é antecipar as crises que assolam o mundo regularmente.

Dos seis projetos selecionados pela Comissão Europeia como candidatos ao título de “carro-chefe”, o FuturICT é o único relacionado com as ciências humanas.

No ano que vem, a Comissão Europeia vai destinar 1 bilhão de euros para cada programa carro-chefe selecionado – ou pelo menos 100 milhões por ano, durante dez anos.

O FuturICT teve seu nome construído sobre um trocadilho, com o “futurista” incorporando a sigla “ICT”, que significa, em inglês, as tecnologias de informação e comunicação, ou todo o campo relacionado aos computadores pessoais, telefones celulares, internet e redes sociais.

O FuturICT se baseia em uma extensa rede de 51 universidades e institutos de tecnologia de 16 países, complementada por colaboradores do setor privado, como Yahoo e Telecom Itália. Todos sob a liderança de duas “matrizes”, a Universidade College of London e a Escola Politécnica Federal de Zurique (ETH, na sigla em alemão).

Ciência humana exata?

A ideia básica é que essas tecnologias, e as montanhas de dados que podem coletar e processar, já oferecem aos sociólogos o material necessário para transformar sua disciplina em algo mais do que um discurso (“logos”), mas uma “verdadeira ciência” capaz de descrever seu objeto de estudo com uma precisão sem precedentes e até mesmo prever sua evolução.

O projeto é descrito “poeticamente” pelos responsáveis como um “acelerador de conhecimentos” e é comparado ao programa Apollo. A diferença é que desta vez não é mais a Lua que será explorada, mas a Terra.

Concretamente, os pesquisadores irão coletar o máximo possível de dados, principalmente da internet, mas também de arquivos ou pesquisas de comportamentos coletivos. Observatórios também serão instalados nos ambientes financeiro, econômico, social ou natural.

E todos esses dados alimentarão i “Living Earth Simulator” (Simulador da Terra Viva) que deverá ser capaz de modelar o funcionamento das sociedades como já acontece com os sistemas complexos da física ou da biologia.

 

 

Tudo isso, garantem os pesquisadores, em estrita conformidade com os princípios da proteção de dados. “Os pais de FuturICT são cientistas e seu objetivo não é se aprofundar na vida das pessoas, mas para alcançar resultados que poderiam beneficiar toda a sociedade”.

Projeto bilionário pretende prever crises que assolam o mundo

O objetivo dos pesquisadores é mapear um
mundo onde cada pessoa emite bits continuamente
e tratar tudo matematicamente. [Imagem: FuturICT]

Prever o futuro e calcular a ganância

Pois a compreensão da sociedade é só um primeiro passo.

A ambição do projeto vai muito mais além.

O objetivo é conseguir prever o surgimento de crises para tentar amenizar seus efeitos.

No primeiro semestre de 2008, Dirk Helbing e dois de seus colegas haviam publicado um alerta na revista ScienceDaily contra a perigosa instabilidade do sistema financeiro. Poucos meses depois o mundo caía na crise que todos conhecemos.

Será que com isso o FuturICT conseguirá predizer o futuro, assim como a psico-história dos romances de ficção científica de Isaac Asimov?

“Devemos empregar o termo predição com muito cuidado. A predição ainda tem muitos limites, o melhor seria falar de previsão, como no caso da previsão do tempo. Por outro lado, o que é possível com certeza é obter uma compreensão suficiente dos sistemas sociais e econômicos para explicar como algumas mudanças nesses sistemas podem afetá-los”, responde Dirk Helbing, físico convertido em sociólogo e co-diretor de FuturICT.

Além disso, acrescenta o sociólogo, “nem sempre é necessário fazer previsões para melhorar o sistema. Nosso objetivo principal é poder aliviar a crise, reduzir perdas e também gerar novos lucros, detectar novas oportunidades”.

Resta levar em consideração que uma crise, como a crise financeira de 2008, deve muito também à ganância humana. Será que os “sócio-matemáticos” também serão capazes de calcular isso?

“Absolutamente,” responde Dirk Helbing sem hesitar. “Acabamos de publicar um artigo sobre esta questão, que examina como a cobiça afeta o surgimento da cooperação e da coesão social. E pudemos estabelecer que um pouco de ganância torna as pessoas ambiciosas o suficiente para realmente tentar fazer algo juntas. Em compensação, tem um certo nível onde a ganância já não melhora o desempenho do sistema, mas, ao contrário, o desestabiliza.”

Publicado em 08/07/2011, em Curiosidade, Novidades e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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